O QUE HÁ DE COMUM ENTRE A TESOURA E O SUPORTE DOS ÓRGÃOS PÉLVICOS? (PARTE 6)

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PARTE 6: A ORIENTAÇÃO TRIDIMENSIONAL E LINHAS DE AÇÃO DOS TECIDOS CONECTIVOS SÃO IGUAIS ENTRE MULHERES COM E SEM PROLAPSOS DE ÓRGÃOS PÉLVICOS?

 

Na postura de pé, os ligamentos cardinais são relativamente verticais em orientação (direção lógica para que eles resistam às forças para baixo). Os ligamentos uterossacros são mais dorsalmente direcionados para o sacro, numa orientação onde podem prevenir o útero e a vagina superior de deslizarem no sentido caudal no plano inclinado da placa elevatória (a porção dos MLA na linha média atrás do reto) em direção à abertura dos MLA (hiato genital), por onde os prolapsos ocorrem.

As linhas de ação para os ligamentos cardinal e uterossacros em mulheres normais estão em 18º em relação ao eixo crânio-caudal do corpo com um comprimento médio de 5,7cm. Os ligamentos uterossacros são orientados dorsalmente e estão em 92,5º em relação ao eixo do corpo e medem cerca de 2,7cm. Com essas informações e mais a inclinação da placa elevatória é possível calcular que a carga imposta sobre o ligamento cardinal é 52% maior do que a carga sobre o ligamento uterossacro.

O alinhamento ligamentar em resposta às cargas impostas aos órgãos pélvicos durante o aumento da pressão intra-abdominal é diferente em mulheres sem e com POP. Quanto ao comprimento, o ligamento cardinal é 20% mais longo no repouso em mulheres com POP se comparadas àquelas sem POP (71 x 59mm). Durante a manobra de Valsava, o ligamento cardinal alonga em 30mm em mulheres com POP X  15mm naquelas sem POP (p<0,05). Por outro lado, quanto ao ângulo, os ligamentos cardinais não sofrem mudanças significativas em relação ao eixo do corpo na Valsalva em mulheres com e sem POP.

Já, o ligamento uterossacro no repouso e na Valsava tem comprimento similar entre mulheres com e sem POP (38 x 36mm, respectivamente). Por outro lado, ele muda significativamente seu ângulo em todas as mulheres durante a Valsalva, sendo a variação mais pronunciada naquelas com POP.

Dra. Fernanda Saltiel

Coordenadora Científica BEC

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