O QUE HÁ DE COMUM ENTRE A TESOURA E O SUPORTE DOS ÓRGÃOS PÉLVICOS? (PARTE 7) O QUE HÁ DE COMUM ENTRE A TESOURA E O SUPORTE DOS ÓRGÃOS PÉLVICOS? (PARTE 8)

PARTE 8: CONCLUSÃO DA SÉRIE

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Conhecer os mecanismos de ação para o suporte dos órgãos pélvicos é, sem dúvida, um dos caminhos fundamentais para se compreender em que estruturas e funções o fisioterapeuta deve atuar e que efeitos seu arsenal terapêutico precisam ter para contribuir para o controle dos prolapsos de órgãos pélvicos.

DeLancey, em sua revisão narrativa, destaca que, as pesquisas atuais mostram que é indiscutível que o suporte dos órgãos pélvicos depende da INTERAÇÃO entre os músculos levantadores do ânus e os tecidos conectivos pélvicos. Portanto, em uma analogia com a tarefa de cortar de uma tesoura proposta por DeLancey neste artigo, discutir sobre quem é o elemento mais crítico para o suporte dos órgãos pélvicos, se os músculos levantadores do ânus ou os tecidos conectivos pélvicos é como tentar decidir que lâmina da tesoura é mais importante para executar o corte!

 

REFLEXÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA

 

1ª REFLEXÃO: Se lesões extensas dos MLA atingindo mais da metade do ventre muscular são mais frequentes entre mulheres com POP do que entre aquelas sem POP e se essas lesões são mais frequentes entre mulheres que realizaram parto vaginal, será que, clinicamente, podemos interferir na ocorrência de lesões dos MLA durante o parto? Se sim, como? Aumentando o tônus e a rigidez dos MLA por meio de treinamento muscular específico de controle, força e resistência musculares do assoalho pélvico? Por meio do treinamento da coordenação motora entre MAP, abdome e respiração durante a atividade simulada de expulsão para melhorar a performance do movimento durante o período expulsivo?

 

2ª REFLEXÃO: Se as deficiências estruturais extensas dos MLA cursam com deficiências nas funções musculares do assoalho pélvico, e se aquelas ocorrem em mulheres que tiveram parto vaginal, então…clinicamente, vale à pena investigar a existência de lesão estrutural dos MLA em mulheres que realizam reabilitação do AP e, ainda assim, cursam com força muscular do AP menor do que 40% em relação ao período pré-gravídico. Em outras palavras, elas podem apresentar deficiência funcional muscular decorrente de deficiência na estrutura do MLA que vai além da competência resolutiva do fisioterapeuta, desta forma, necessitando de encaminhamento para profissional competente.

3ª REFLEXÃO: Se os ligamentos apresentam propriedade de histerese, seria válido pensar que atividades físicas que aumentam cronicamente a pressão intra-abdominal poderiam impor cargas extras aos ligamentos, alongá-los e deformá-los irreversivelmente, favorecendo a ocorrência de prolapso de órgãos pélvicos em longo prazo.  Assim, uma forma de controle dos prolapsos seria a modificação/adaptação das atividades diárias para minimizar o impacto da pressão intra-abdominal sobre as estruturas do assoalho pélvico. Também, como os MLA funcionam como importante suporte dos órgãos pélvicos, com ação de elevá-los e fechar o hiato genital, parece lógico pensar que o seu treinamento e/ou reabilitação pode proteger os tecidos conectivos da pelve da tensão gerada pelas atividades que aumentam a pressão intra-abdominal.

 

Dra. Fernanda Saltiel
Consultora Científica BEC

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