Qual a relação existente entre os MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO e o ABDOME em mulheres COM e SEM disfunções do assoalho pélvico?

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Olá leitores!

Estamos há muito tempo sem aparecer por aqui… a vida tem sido corrida nessa pandemia, não é?

Temos tido muito trabalho: casa, família, filhos e netos sem escola, consultório, docência, empresa…

Mas nada como um novo tempo para nos fazer pensar, crescer e renovar! E por isso estamos de volta aqui, e também em novos canais de comunicação! Espero que gostem e acompanhem nosso novo tempo!

Hoje nossa querida professora e sócia da BEC, Elisa Castro, nos brinda com uma reflexão, sobre um tema super importante! Boa leitura!

Um abraço afetuoso!

Elza Baracho e toda equipe da BEC

Qual a relação existente entre os MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO e o ABDOME em mulheres COM e SEM disfunções do assoalho pélvico?

Esses dias recebi um artigo de revisão sistemática e metanálise que se propôs a responder essa pergunta, que para mim não cala! Vou falar um pouquinho das conclusões dos autores e dar minha opinião, baseada na minha prática clínica com mulheres, que ao longo dos últimos 16 anos me procuram para a prática do Pilates clínico e outros exercícios terapêuticos dentro de uma visão integral da saúde da mulher.

Essa revisão sistemática com metanálise teve como objetivo investigar a cocontração entre músculos abdominais (Reto Abdominal, Oblíquo Interno, Oblíquo Externo e Transverso Abdominal) e músculos do assoalho pélvico (MAP) em mulheres com e sem disfunções do Assoalho Pélvico (Incontinência urinária, prolapso de órgãos pélvicos e dores pélvicas).

A metanálise (apenas 5 estudos) não mostrou diferenças entre os padrões de cocontração dos músculos abdominais e MAP em mulheres com e sem disfunções do assoalho pélvico.

Eu esperava que houvesse diferença. E você?

Parece que os autores também esperavam. Após resultados da metanálise eles realizaram uma análise de sensibilidade, que sugeriu (com muito baixo nível de evidência) que em mulheres com disfunções do assoalho pélvico, durante ativação dos MAP ocorre uma cocontração com oblíquos externo e interno. Em contrapartida, em mulheres saudáveis, a ativação dos MAP parece ocorrer em cocontração com o músculo Transverso do abdome.

Vale ressaltar que essa revisão incluiu poucos estudos, com baixa qualidade metodológica. Sendo assim, precisamos ter cautela para interpretar e generalizar os resultados. Mas, mesmo assim, os resultados obtidos após a análise de sensibilidade, corroboram com a minha percepção clínica. E com a de vocês?

Vejo, na minha prática clínica, com muita frequência, que as mulheres com incontinência urinária e prolapso de órgãos pélvicos têm uma ativação exagerada do abdome, que aumenta a pressão intra-abdominal e contribui para os mecanismos de perda urinária e prolapsos.

Acho essencial reeducar esse padrão biomecânico, com objetivo de diminuir a pressão intra-abdominal e ativar de forma mais adequada as sinergias dos MAP.

Precisamos olhar para a mulher como um todo! Nada de ter o foco só no assoalho pélvico! Nunca se esqueçam da postura, dos músculos sinergistas, e de tudo mais, afinal, nosso corpo é todo integrado!

Vamos falar mais sobre isso nas redes sociais? @barachoeducacao

Até lá!

Elisa Castro – especialista em Ft. na saúde da mulher e mestranda no programa de saúde da mulher da faculdade de medicina da UFMG

Revisão sistemática: Pelvic Floor and Abdominal Muscle Cocontraction in women with and without Pelvic Floor Dysfunction: a Systematic review and meta-analysis: Vesentini G. et al., 2019

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